TI em uma Bolha
É uma história antiga na TI de PMEs: gestores de TI que começam jovens, permanecem em uma única empresa, sobem na hierarquia e se tornam veneráveis gestores de TI que nunca trabalharam fora de seu ambiente atual. Assim como nos “bons velhos tempos”, quando as pessoas permaneciam em uma única empresa por toda a sua carreira, isso também soa como algo maravilhoso. Mas a TI há muito recompensa os “saltadores de emprego”, aquelas pessoas de mentalidade técnica que mudam de uma empresa para outra a cada poucos anos. A falta de mobilidade ascendente direta dentro de uma única empresa incentivou esse processo – promoções incrementais só podiam ser encontradas entre empresas, raramente dentro de uma só.
Algumas pessoas apoiam e outras contestam a ideia de que há valor, ou valor significativo, a ser obtido ao mudar de empresa. A ideia é que, ao transitar entre ambientes, você absorverá técnicas, procedimentos, processos e experiência geral que então levará consigo para sua próxima posição – que você é um produto cumulativo de todos os seus ambientes anteriores. Esse conceito, acredito eu, tem algum mérito, mais ainda na tecnologia do que em outras áreas.
Nas áreas de tecnologia, acredito que o valor de mudar de emprego, após um período razoável de tempo, é geralmente muito superior ao de permanecer no mesmo lugar. A razão para isso é relativamente simples: A maioria das pequenas empresas carece de um ecossistema de suporte e treinamento para profissionais de TI. É bem sabido que os profissionais de TI, trabalhando em pequenas empresas, carecem da interação com colegas e fornecedores geralmente aceita como necessária para um desenvolvimento profissional saudável e que é comum em grandes corporações.
Um profissional de TI, após passar muitos anos em uma pequena empresa, efetivamente sozinho, tende a sentir-se isolado, carecendo da interação profissional que a maioria dos especialistas desfruta. A maioria das pequenas oficinas profissionais ou artesanais possui vários especialistas que trabalham juntos, compartilham pesquisas e experiências, são incentivados a trabalhar com concorrentes ou fornecedores, a participar de eventos do setor, treinamentos, etc. Poucas áreas compartilham a estranha dispersão dos profissionais de TI, com apenas uma ou duas pessoas trabalhando juntas em qualquer empresa, com pouca ou nenhuma interação com o mundo exterior ou com colegas de outras empresas.
Esse isolamento pode levar à “insanidade de TI” se não for controlado. Um profissional de TI, trabalhando no vácuo, com pouco ou nenhum retorno técnico ou profissional, perderá a capacidade de avaliar a si mesmo em comparação com outros profissionais. Sendo frequentemente o único provedor de orientação e política tecnológica por potencialmente anos ou mesmo décadas, um profissional de TI solitário pode facilmente “sair do rumo” e perder o contato e a correção de curso oferecidos pela área de TI mais ampla, contando apenas com uma orientação superficial proporcionada pelo mundo filtrado de fornecedores que tentam vender produtos e serviços caros.
Profissionais de TI que sofrem de “insanidade de TI” serão frequentemente encontrados implementando políticas bizarras e sem sentido que jamais seriam toleradas em uma empresa com um forte mecanismo de revisão por pares, comprando soluções incrivelmente superfaturadas para problemas simples e trabalhando ou completamente com ou completamente sem tecnologias convencionais – dependendo principalmente da personalidade individual. Em parte, isso é causado por uma dependência crescente de um conjunto de habilidades singular e consolidado, pois a falta de mudança ambiental incentiva um processo de dependência contínua das habilidades e procedimentos existentes.
A insanidade de TI surgirá comumente em departamentos de TI que possuem apenas um único profissional de TI ou em departamentos onde há uma hierarquia rígida, sem movimento nos níveis gerenciais, de modo que ideias frescas e a experiência de profissionais mais jovens não chegam até os gestores e, em vez disso, práticas consolidadas e políticas do tipo “porque eu mandei” são impostas hierarquia abaixo aos tecnólogos que de fato implementam as soluções.
Isso não quer dizer que tudo está perdido. Há medidas que podem ser tomadas para evitar esse cenário. A primeira é considerar a terceirização da TI – qualquer empresa tão pequena a ponto de enfrentar esse dilema deveria considerar seriamente se faz sentido, em seu ambiente, ter uma equipe interna dedicada e em tempo integral. Buscar sangue novo é uma opção – trazer profissionais de TI de outras empresas e até mesmo de outros setores pode fazer maravilhas. Algumas empresas chegam até a trocar funcionários entre si em casos extremos, para evitar perder os colaboradores existentes, mas buscando “agitar as coisas.”
Aquém de medidas drásticas como trocar completamente os funcionários, as organizações que não são de TI precisam pensar seriamente na saúde profissional de sua equipe e buscar oportunidades de interação com pares. Os profissionais de TI precisam de interação profissional contínua por muitas razões e as organizações precisam apoiar e promover ativamente esse comportamento. Enviar a equipe para treinamentos, seminários, grupos de pares, convenções, feiras ou até mesmo como voluntários em atividades comunitárias e de organizações sem fins lucrativos, onde possam prestar suporte de TI em um ambiente alternativo, pode fazer maravilhas para tirá-los do escritório e colocá-los cara a cara com pontos de vista alternativos, além de permitir que coloquem as mãos em tecnologias diferentes daquelas que veem em seu dia a dia.
Os gestores de TI precisam de oportunidades para explorar diferentes conjuntos de soluções e para aprender o que os outros estão fazendo, a fim de poderem oferecer da melhor forma um valor de tomada de decisão objetivo e abrangente às suas próprias organizações.


